FOZ E O MUNDO: LÍBANO

E para fechar esse especial sobre a gastronomia da minha cidade, vamos falar sobre uma das culturas mais presentes por aqui: a libanesa. Afinal, Foz do Iguaçu é a segunda maior colônia árabe do Brasil, e por conta disso, estamos muito bem servidos de suas iguarias.

 

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HISTÓRIA

Conforme a tendência encontrada em toda a América, a “construção” da sociedade brasileira atual se deu pela vinda de várias correntes migratórias, em diversos momentos e de múltiplas origens. As correntes migratórias de árabes se encontram nesse complexo contexto de vindas de migrantes de várias outras procedências, como os portugueses, italianos, japoneses, alemães, dentre outras datadas do final do século XIX adentrando o século XX. Até então, o povoamento do território brasileiro se deu pela vinda de colonos, em sua maioria portugueses, pela importação de escravos originários da África e pela incorporação de indígenas. A principal característica desses grupos migrantes é a relação que a sua vinda em massa tem com o fim do sistema escravagista.

A imigração árabe para o Brasil, especialmente de sírios e libaneses, é considerada espontânea pelo fato de não haver agenciamento de empresas envolvidas no processo desde seu início mais significativo no final do século XIX. A maior parte dos migrantes que vieram tinham o objetivo de acúmulo de capital rápido seguido de retorno ao seu país de origem. Por isso, em princípio, não era comum encontrar famílias se estabelecendo no Brasil e sim indivíduos do sexo masculino.

A intenção de rápido acúmulo de capital seguido de retorno serviu como grande incentivo para propiciar o aparecimento de uma das principais características do grupo árabe, a dedicação ao comércio.

 

CULINÁRIA

Podemos perceber que a culinária, ao contrário da religião, é um dos universos que aproxima libaneses e brasileiros. Conhecer, ensinar e oferecer pratos diferenciados, mesmo exóticos, é prática considerada interessante e que traz uma oportunidade de demonstrar cordialidade para com o “outro”.

A cozinha tradicional do Líbano combina a abundância de frutas e verduras frescas. A base dos pratos é, somente, o emprego de cereais e legumes, podendo-se repetir em muitos pratos os mesmos ingredientes, mas com distintas formas de preparação. Se empregam iogurtes, queijos, pepinos, beringelas, ervilhas, nozes, tomates e sésamo em todas as suas formas: semente, em pasta ou em azeite.

 

Aqui na cidade, a cultura árabe é tão forte, que já incorporamos alguns de seus pratos em nosso dia-a-dia, como os quibes, tabules e o famoso creme de alho. As esfirras e shawarmas são facilmente encontradas em qualquer esquina da cidade, e tem inúmeras variações nos ingredientes de seu preparo.

 

Qual seu restaurante libanês preferido? Conta pra mim o/

 

 

FOZ E O MUNDO: EMPANADAS

Falamos sobre o Paraguai há alguns dias. Hoje vamos falar sobre o país que encontramos ao atravessar a Ponta da Fraternidade, a Argentina.

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Embora tenha cruzado o Atlântico com os colonizadores espanhóis, a empanada tornou-se um dos expoentes da gastronomia latino-americana, sendo preparada, com receitas assemelhadas, em vários países, entre outros, Chile, Bolívia, Venezuela e Argentina.

Mas, é na Argentina que a iguaria reina absoluta, sendo encontrada por todo o país em muitas variações. Em todas elas, predomina o recheio de carne e pequenas alterações nos ingredientes fazem a receita mudar de um lugar para outro.

Verdadeira paixão nacional, a empanada compõem com o churrasco e o doce de leite a tríade mais famosa da culinária de “los hermanos” e, também, faz muito sucesso entre os brasileiros, já sendo encontrada em várias cidades do Brasil.

Empanada é um tipo de pastel assado, mas que, embora menos usual, também pode ser frito. Geralmente comida com as mãos, são feitas com massa de farinha de trigo, originalmente, recheadas de carne bem temperada e picante, guarnecida de outros ingredientes que variavam (e continuam variando) de região para região. Mas, com o passar do tempo, a empanada foi ganhando novos recheios e, hoje, como acontece com as pizzas, há empanadas de, praticamente, tudo – da carne de boi, de frango ou peixe ao milho (humita), hortaliças e queijo com cebola, entre outros.

 A cebola aliás, é presença obrigatória na maioria delas, sendo que algumas receitas a incluem na mesma porcentagem da carne, como é o caso das empanadas das províncias de  Mendoza e San Juan. Uma das características que identifica uma boa empanada é a umidade do recheio.

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Em Puerto Iguazú, o melhor lugar para comer boas empanadas é na Barraca da Mirian, que fica na feirinha, com uma boa cerveja de litro.

Deu fome? Bora lá conhecer a feirinha então!

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FOZ E O MUNDO: HAMBÚRGUER

Como qualquer cidade de médio/grande porte, Foz do Iguaçu finalmente aderiu a moda dos hambúrgueres gourmet, e só no ano passado abriu ao menos 3 novas boas casas especializadas. Hoje, hambúrguer não é mais apenas fast food.

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Faz um tempo que hambúrguer está na moda. Em São Paulo existem várias casas estreladas e especializadas nesse prato. A moda é hambúrguer gourmet.

Pequenos ou enormes, mas sempre acompanhados por ingredientes inusitados e agradam paladares exigentes que adoram experimentar novas combinações.

Eles não vem direto dos congelados do mercado para sua mesa, mas sim, são feitos artesanalmente, da forma mais caseira possível. É preparado no dia, levado á chapa (ou mesmo á brasa) com todo o cuidado de preservar o suco da carne, e levado á sua mesa quentinho, cheio de carinho.

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Dentro desses hambúrgueres caprichados costuma haver queijo: desde o mais comum (muçarela ou cheddar) até os mais inesperados, como   gruyére e gorgonzola.

Além dos queijos, ainda haverá muitos outros ingredientes diferentes, como cebolas caramelizadas, chutney de cebola, picles de chuchu, compota de bacon, tomate confit, lombo defumado, tomates recheados, manjericão, coleslaw e até cebolas empanadas.

Os molhos e maioneses usados em seu preparo são geralmente feitas diariamente, assim como o hambúrguer. E além de tudo isso, normalmente há a mesa ketchup, mostarda e pimentas de boa qualidade.

E para completar, costumam ser acompanhados por fritas. ❤

Ah, e as carnes usadas não são de segunda não! Podem ser também frango, picanha, bacalhau ou carneiro, nos restaurantes mais sofisticados. Chique né?

Imaginou tudo isso num pão bem macio, crocante por fora, a carne suculenta escorrendo… já deu água na boca!

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Aqui em Foz tem diversas opções, mas sou suspeita em falar, pois amo o Rockers Burgers and Beers. Recomendo, e recomendo muito!

Uma pequena propaganda gratuita: eles também fazem hambúrgueres com carne halal, vegetarianos, livres de glúten e lactose. Tem como não amar?

(Inclusive, todas as fotos desse post são dos hambúrgueres do Rockers <3)

Tem um restaurante preferido? Comenta aqui!

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FOZ E O MUNDO: CHIPA E TERERE

Como boa cidade fronteiriça, é impossível falar de Foz sem falar dos países com que faz fronteira. Hoje vamos falar sobre o Paraguai e as iguarias que podemos encontrar atravessando a Ponte da Amizade, ou mesmo em nossas casas, já que a cultura do país vizinho já invadiu nossas residências.

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A cultura culinária do Paraguai desenvolveu-se bastante na parte de confeitaria, especialmente biscoitos.

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Chipa paraguaia é um salgado de queijo que pode até não ser popular no Brasil. Mas quem prova, vira fã.

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Sob o nome “chipa” encontra-se uma grande variedade de biscoitos assados, em geral, com gordura animal. O chipa piru é um dos mais populares. É preparado com uma massa folheada de ovos, queijo, amido de anis, sal e leite coalhado.
É um pão tradicional que pode ser servido o dia todo, como parte do café da manhã, almoço, jantar e na hora do chá. É um produto paraguaio tradicional passado de uma geração a outra. Mas a chipa não é apenas vendida nas ruas: transformou-se em uma indústria no país de 6,3 milhões de habitantes. É um alimento artesanal que hoje em dia é exportado para Espanha e Estados Unidos.
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Mas qual é a diferença da Chipa e do pão de queijo?
Isso é o que todos perguntam, e é muito comum a confusão, a Chipa leva mais queijo! Os ingredientes são quase os mesmos, mas o modo de fazer é diferente; e é claro, o formato!
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E para acompanhar uma boa chipa, porque não um tereré?
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.O tereré é a bebida nacional do Paraguai, uma bebida que é tão típica quanto a língua guarani. A origem do tereré remonta a Guerra do Chaco (entre Paraguai e Bolívia, 1932-) quando as tropas começaram a beber mate frio para não acender fogos que denunciariam sua posição. No Brasil, o tereré foi trazido pelos paraguaios, que entraram pelo país através do estado do Mato Grosso do Sul e depois se espalhou para outras partes do mesmo. Todo ciclo brasileiro da erva-mate do tereré teve início na cidade de Ponta Porã, que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia, depois expandiu-se para outras cidades e estados.

 

É um refresco que ajuda a preservar o convívio entre familiares e amigos.  A infusão da erva mate no Paraguai tem algumas particularidades. Diferente de outras regiões se toma gelado e serve para combater o calor, mas não apenas no verão. Neste caso ele é macerado com folhas de hortelã, pelerine, casca de limão ou laranja.

Aqui no Brasil, adquiriu-se o hábito de tomar o tereré com sucos de limão ou outras frutas, uma bebida mais doce que a original.

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Minha chipa preferida é uma vendida numa pequena combi vermelha que circula pelas vias de Ciudad del Este.

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Quando vier a Foz, não deixe de experimentar essas delícias e conte aqui nos comentários suas experiências.

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FOZ E O MUNDO: CHURRASCO

Não tem como falar de Foz, sem falar de churrasco. Apesar de não ser a comida típica da cidade, o churrasco é muito presente por aqui também.

 

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O churrasco no Brasil, surgiu nos acampamentos jesuítas, e consistia basicamente em um pedaço de carne bovina com alguma gordura e ossos, espetado em estacas de madeira que eram ficadas na terra. A carne, temperada com sal grosso era cercada por lenha, que quando queimada, tostava a peça.

A parte do boi mais usada era a costela, e somente em tempos mais recentes o churrasco gaúcho incorporou outros cortes do gado, como a picanha ou fraldinha, além de outros tipos de carne, como a suína e a de frango.

 

No século XVII, os tropeiros – que eram viajantes que iam para o sul do Brasil para o comércio de diversos produtos- incorporaram o modo de preparo, desenvolvendo-o nas terras exploradas por eles. O gado era usado, incialmente, para o transporte, mas com o tempo percebeu-se que poderiam ser uma fonte fácil e rápida de alimento, sendo necessário apenas o corte do animal e a preparação do fogo. Dessa forma surge o churrasco, um alimento ambulante que estaria sempre fresco e era temperado com o sal grosso – alimento que fazia parte da dieta do próprio animal. Com o tempo essa prática tornou-se muito comum e assim popularizou-se o churrasco entre os tropeiros gaúchos.

 

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Churrasco de chão é sinônimo não só de refeição, mas também de confraternização em volta do fogo e da carne.

 

Hoje, o churrasco além de ser bastante comum na região sul, se espalhou por todo o mundo. Inclusive, na esquina do hotel em que me hospedei em Londres tinha uma churrascaria brasileira (essa da foto abaixo). Incrível né?

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Aqui em Foz, o churrasco é bem representado por ótimas churrascarias, com diversas opções de cortes e carnes. Ainda há estabelecimentos que oferecem o famoso churrasco de chão, além das festas de igrejas que promovem churrascos do tipo eventualmente.

 

Conhece algum bom estabelecimento pra experimentar um bom churrasco em Foz? Deixe nos comentários!

 

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FOZ E O MUNDO: ITÁLIA

A imigração italiana no Brasil foi intensa, tendo como ápice o período entre os anos de 1880 e 1930. A maior parte dela se concentrou no estado de São Paulo. Os italianos começaram a imigrar em número significativo para o Brasil a partir da década de 1870. Foram impulsionados pelas transformações socioeconômicas em curso no Norte da península itálica, que afetaram sobretudo a propriedade da terra.

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NA ITÁLIA

O século XIX foi marcado por uma intensa expulsão demográfica na Europa. O alto crescimento da população, ao lado do acelerado processo de industrialização, afetaram diretamente as oportunidades de emprego naquele continente. Não apenas a população da Itália, mas de toda a Europa de um modo geral estava afundada na miséria no século XIX. A transição entre um modelo de produção feudal para um sistema capitalista afetou diretamente as condições sociais no continente europeu. As terras ficaram concentradas nas mãos de poucos proprietários, havia altas taxas de impostos sobre a propriedade, fazendo o pequeno proprietário se endividar com empréstimos. Havia a concorrência desigual com as grandes propriedades rurais, que fazia o preço dos produtos do pequeno proprietário ficarem muito baixos, empurrando essa mão de obra para as indústrias nascentes, que não conseguiam absorver essa massa de trabalhadores, saturando as cidades com desempregados.

Foi assim que milhões de camponeses europeus, que não conheciam nada além do seu vilarejo de origem, tornaram-se emigrantes. Primeiramente, buscaram trabalho nas cidades. Em seguida, nos países vizinhos, numa migração sazonal quando a demanda por mão de obra aumentava, como em época de colheitas. Depois, regressavam para casa. Quando essas alternativas já não surtiam mais efeito, buscaram a emigração transoceânica, chegando ao Brasil.

 

NO BRASIL

Na primeira metade deste século, o Reino Unido, a superpotência da época, pressionou fortemente o Brasil para acabar com o tráfico negreiro que supria as necessidades de mão de obra com a importação de escravos da África. A Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico negreiro em 1850 e, a partir deste momento, começou a falta de mão de obra nas zonas em que se expandia a cultura cafeeira.

A política de imigração passou então a ser planejada não apenas com o propósito de suprir a mão de obra necessária ou de colonizar territórios pouco ocupados, mas também para “branquear” a população brasileira. Neste projeto social, negros e mestiços iriam paulatinamente desaparecer da população brasileira por meio da miscigenação com as populações de imigrantes europeus.

A imigração italiana para o Brasil tornou-se significativa a partir da década de 1870 e transformou-se num fenômeno de massa entre 1887 e 1902, influenciando decisivamente no aumento da população do Brasil. Entre 1880 e 1924, entraram no Brasil mais de 3,6 milhões de imigrantes, dos quais 38% eram italianos.

O imigrante ideal teria que ser agricultor e, mais do que isso, branco e que emigrava com a família. Neste momento, imigrante virou sinônimo de europeu, pois negros e mestiços foram automaticamente excluídos dos projetos de colonização baseados na distribuição de terras.

 

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NO SUL

No Brasil, havia grande disponibilidade de terras e um grande vazio demográfico, que causava preocupação no governo. Os imigrantes recebiam diversos auxílios governamentais, como viagem paga entre o porto do Rio de Janeiro até o núcleo colonial, recebimento de um lote de terra para a família imigrante, que poderia ser pago em oito ou cinco prestações (conforme a área do terreno), uma casa provisória e auxílio para construir uma nova moradia.

O Sul do Brasil, nesse período, exercia um poder de atração de italianos, pois contava com disponibilidade de terras, atraindo os que aspiravam se tornar proprietários rurais. Ademais, as notícias de que o clima no Brasil meridional era suficientemente semelhante ao italiano para assegurar o cultivo de produtos aos quais estavam acostumados e tinham conhecimento contribuiu para a corrente migratória italiana ter se concentrado quase que exclusivamente nos estados sulinos, nesse primeiro período de imigração.

Os italianos se espalharam por várias partes do Rio Grande do Sul, e muitas outras colônias foram criadas por particulares, que vendiam as terras aos italianos. Nessas terras, os imigrantes italianos começaram a cultivar uvas e a produzir vinhos.

Os primeiros imigrantes, vindos da região que hoje se constitui como Estado Italiano, chegaram ao sul do Brasil nos anos 1870. Esses sujeitos ocuparam os atuais municípios de Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves, dentre outros do Rio Grande do Sul, a partir de 1875. Os italianos trouxeram para região a tradição da produção de vinhos, mas também a da mesa farta, talvez em decorrência das dificuldades enfrentadas nos primeiros tempos. A mesa farta passaria a significar bem viver

A rica e variada culinária italiana, distinta nas várias regiões do país, influenciou a culinária de praticamente todo o mundo. As pizzas e massas são encontradas em qualquer país.

Com a chegada dos imigrantes no Brasil, muitos alimentos foram introduzidos no cardápio do local. Até a chegada dos italianos, não era um costume consumir grande variedade de frutas e verduras.  Encontrando quintais com terrenos disponíveis, os italianos que optavam viver nos centros urbanos formavam hortas onde cultivavam hortaliças e legumes não só para o consumo familiar, mas também para a venda.

O fubá, por exemplo, era encontrado com facilidade, pois os nativos o utilizavam para fazer angu. Desse modo, os italianos puderam manter aqui o hábito de empregar este derivado do milho na fabricação de polenta e broas. Hábito que não passou despercebido pelos brasileiros, que a viam como um indicativo de identidade dos italianos e passaram também a consumir estes alimentos.

Somente depois que os italianos se fixaram no meio urbano que começaram a surgir as padarias. Até então, o pão praticamente não entrava na dieta diária do brasileiro. O macarrão foi outro alimento que passou a ser mais consumido. Na Itália era tão costumeiro, que inventaram mais de 500 variedades de tipos e formatos de massa. Um importante passo na história deste prato foi a incorporação do tomate em forma de molho para a cobertura da massa.

 

 

Foz, apesar de não possuir uma grande colônia italiana não deixa a desejar quanto á gastronomia italiana. Rodízios de massas, restaurantes especializados em massa e bons vinhos não faltam. Além de um dos restaurantes da cidade oferecer uma das maiores mesas de queijos do brasil, com mais de 30 tipos servidos.

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Aproveita para experimentar as minhas receitas não tão típicas italianas, como:

PIZZA RÁPIDA DE LIQUIDIFICADOR

PIZZA DE FRIGIDEIRA

NHOQUE DE BATATA

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Tá esperando o que? Depois dessa breve aula de história, tem coisa melhor que procurar um bom restaurante italiano para saborear uma boa massa? Ou faça você mesmo, afinal, receitas não faltam!

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FOZ E O MUNDO: TEM PRATO TÍPICO?

Recentemente precisei desenvolver uma matéria sobre a gastronomia de Foz para uma revista e acabei me deparando com o tal do prato típico da cidade. Mas como moradora, que nasceu e cresceu em terras iguaçuenses, nunca tinha ouvido falar prato típico algum… Porque será?

 

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Foz do Iguaçu sofre uma grande contradição cultural no que se trata à gastronomia e culinária típica, resultado da miscigenação étnica que ocorreu durante a formação da cidade. Essa contradição fica clara no levantamento de dados sobre a gastronomia local, ocorrendo divergências entre as informações encontradas.

A cidade considera como seu prato típico principal, o Pirá de Foz, que é um prato ornamentado com o surubim (peixe comum na região), molho de gengibre, purê de mandioca e arroz com espinafre. Porém esse é um prato eleito por meio de concurso organizado pela Secretaria Municipal de Turismo em 1996, elaborado por Dirceu Vieira dos Santos, cozinheiro do Hotel Bourbon. A avaliação do prato foi realizada por representantes da rede hoteleira, setores ligados ao turismo e à gastronomia e da Associação Brasileira da Alta Gastronomia.

Este é o primeiro equívoco, pois um prato típico de uma sociedade não pode ser criado e ser considerado símbolo gastrônomico da localidade, pois não há uma ligação entre a população e o prato. O prato não possui o conhecimento da população como afirma a  pesquisa realizada na cidade, que resultou em 76% da população desconhecendo completamente o Pirá de Foz, contando ainda com 11% que já ouviram falar, mas não sabem o que é, 9% conhecendo e apenas 4% de entrevistados que consumiram o prato num total de 122 questionários aplicados em 2010 com habitantes da cidade.

 

Segundo o autor do livro “Pratos Típicos Paranaenses”, Foz do Iguaçu possui dois pratos típicos e ambos possuem origem árabe, são eles Miadra (arroz com lentilha) e Namura (doce de semolina com amendoas e recheio de nozes), sendo que o Pirá de Foz não figura entre os pratos considerados típicos no Paraná. E obviamente, eu nunca ouvi falar de nenhum deles.

 

Considerando também a pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e pelo Ministério do Turismo em 2008, onde resultados obtidos são os pratos típicos de Foz do Iguaçu representados pelo Dourado Assado, o Churrasco e o Boi no Rolete, confirmam que o prato (o tal do Pirá) não possui o reconhecimento dos habitantes iguaçuenses.

 

Portanto: oficialmente, Pirá é o prato típico de Foz, mas a maior parte da população não conhece o prato. É história para turista ouvir.

Se quer realmente conhecer a variada gastronomia de Foz, conheça os restaurante libaneses, japoneses e italianos, ou mesmo as churrascarias

 

Semana que vem tem mais o/

 

FOZ E O MUNDO: JAPÃO

Foi em junho de 1908 que aportou em São Paulo o navio Kasato Maru, que trouxe cerca de 700 imigrantes japoneses à terras brasileiras… E assim, começa nossa história com o País do Sol Nascente.

 

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COLONIZAÇÃO

Até o início do século XX, a região de Foz do Iguaçu era completamente dominada por Argentinos e Paraguaios, com uma quantidade ínfima de brasileiros. Dizem até, que toda a região falava apenas espanhol e a moeda corrente era o peso argentino na época.

Na década de 50 há registro dos primeiros imigrantes de origem síria e libanesa, que hoje somam a segunda maior colônia árabe no Brasil e que influíram consideravelmente no desenvolvimento econômico pela característica de serem em sua maioria comerciantes.

Acredita-se também, que na mesma época, algumas famílias com descendência japonesa vieram do Norte Pioneiro em busca de novas oportunidades devido às percas acarretadas pelas geadas constantes que fizeram com que diversos agricultores se desfizessem de suas terras.

Mas apenas na década de 70, com a construção de Itaipu é que a cidade obteve um grande salto em seu desenvolvimento.  A hidroelétrica empregou cerca de 40 mil trabalhadores, e aumentou consideravelmente a população iguaçuense.

Além do desenvolvimento, a construção da usina promoveu a miscigenação cultural entre esses trabalhadores oriundos de diversas regiões do país com os italianos, alemães e demais etnias remanescentes da época da colonização.

 

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JAPONESES NO BRASIL

Em paralelo à colonização de Foz do Iguaçu, os primeiros japoneses aportavam em São Paulo no ano de 1908 e se dedicavam primeiramente ao trabalho braçal em campos de café. Pouco mais de uma década depois, alguns japoneses vieram ao Paraná e participaram ativamente da colonização do Norte Pioneiro, onde está concentrada a maior parte da população japonesa do Brasil.

Sempre muito atrelados a sua cultura, os japoneses mantém os traços originais independente da região em que se encontram. Em Foz do Iguaçu não é diferente, a cidade possui inúmeros restaurantes especializados, uma Colônia Japonesa e um Templo Budista representando seus costumes.

Mesmo que essa representação não seja muito marcante, a cidade recebe milhares de turistas vindos do Japão todos os anos, chegando a mais de 17 mil em 2008, ano do Centenário dos Japoneses no Brasil.

 

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CULINÁRIA JAPONESA

A cultura japonesa considera a culinária como arte. Nos pratos são valorizadas a harmonização dos ingredientes e sabores, a estética com a qual são apresentados e a utilização das cores.

De acordo com as possibilidades e sua história, os japoneses acabam por adquirir hábitos e se educaram na questão da alimentação. País pequeno e com poucas áreas cultiváveis, aderiram a políticas alimentares rigorosas, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis, considerando um ato grosseiro deixar comida sobrando em suas refeições e comendo apenas o necessário para seu sustento.

Por ser um país formado de ilhas, o peixe sempre foi um dos principais ingredientes representativos de sua cultura. Mas com o passar dos anos e com a modernização dos processos de transporte e intercâmbio de culturas, alguns costumes foram evoluindo ou foram agregados ao dia-a-dia.

No século VII e VIII, vieram da China a soja e o chá verde, ambos com grandes valores nutricionais, que se tornaram grandes símbolos dentro da cultura gastronômica nipônica como importantes tradições necessárias para completar o ritual da refeição.

Ainda mais além, no século XIX, após o contato com os europeus, que as carnes bovinas, suína e de frango foram inseridas nos hábitos alimentares, originando pratos bastante conhecidos, como o yakitori (espetinho de frango grelhado), sukiyaki (refogado de carnes e legumes) e dashi (caldo de peixe ou carne).

 

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Após mais de um século da chegada dos primeiros japoneses no Brasil, ainda há certa estranheza com suas comidas típicas, como o sashimi, que é nada mais que peixe cru cortado em fatias finas. Mas podemos perceber que ano a ano, o brasileiro conhece melhor a cultura que veio do outro lado do mundo e experimenta suas excentricidades.

Alguns, como eu, tem na comida japonesa seus pratos favoritos, e por isso, percebemos o aumento considerável de restaurantes especializados em Comida Japonesa aqui em Foz do Iguaçu.

Apenas nesse ano, dois ou três novos restaurantes foram inaugurados, com preços cada vez mais acessíveis. Alguns oferecem sistemas de rodízio, pratos frios e quentes, sushis, yakitori e toda a diversidade da comida tradicional japonesa

 

Tá esperando o quê para experimentar? Ligue para o seu delivery favorito, ou vá ao restaurante japonês mais próximo, e mate sua fome!

 

Ah, e aproveita para experimentar as receitas de Sunomono, Yakisoba e Karê que já postei aqui no blog, e são típicas japonesas.

 

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VOLTA AO MUNDO NA CULINÁRIA

 

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Se tem algo em Foz do Iguaçu que eu diria ser mais farto do que àgua, é a culinária. As mais de 80 etnias existentes na cidade trouxeram consigo os mais variados sabores e aromas, que podem ser experimentados nos restaurantes da cidade. A gastronomia existente aqui pode ser comparada aquelas oferecidas nos maiores centro turísticos do mundo, com bares e restaurantes modernos, que atendem a todos os paladares. É possível fazer um verdadeiro roteiro turístico pela culinária internacional sem vencer grandes distâncias! 

A comida libanesa é um dos grandes destaques, com shawarmas, esfihas e o tradicional molho de alho, além do tabule e quibe cru que são oferecidos em numerosos estabelecimentos pela cidade. A grande oferta vem da colônia libanesa que se formou na cidade, onde seus representantes incorporaram seus estilos culinários típicos à cultura local. 

E quem é que não gosta de uma boa massa com um molho caprichado? A cidade possui diversos restaurantes italianos, desde os mais tradicionais – onde quase podemos ouvir a nonna mexendo nas panelas – aos mais sofisticados, com sistemas de rodízio e carta de vinhos caprichada.

As peculiaridades da gastronomia japonesa também podem ser facilmente encontradas nos sushis, sashimis e temakis regados a shoyu e molho tarê. O cuidado ao enrolar o arroz à alga e o peixe fresco normalmente comido cru, fazem da comida japonesa a combinação perfeita para o clima quente da cidade.

A cultura do chimarrão veio do Rio Grande do Sul para aquecer nossos corpos nos dias frios, e em contraste logo ali, do outro lado da Ponte da Amizade, tem o terere, o oposto, gelado e refrescante para o calor que nos acomete quase o ano todo.

E além de toda a influência estrangeira, ainda há lugar para a própria variedade brasileira, desde o típico churrasco gauchesco, até o apimentado acarajé baiano. 

Como boa cidade sulista, Foz abriga inúmeras churrascarias – das mais sofisticas, às mais acessíveis -, com boa carne assada á lenha e temperada com sal grosso. Tudo complementado com aquele cheirinho de fumaça no ar.

Sem contar que, nos últimos tempos, os hambúrgueres caseiros assados na brasa estão ganhando o paladar do iguaçuense, que antes optava pelos fast foods. O molho caseiro preparado no dia, o pão com casquinha crocante e o cuidado ao ser feito é o grande diferencial.

E se toda essa variedade ainda não for suficiente, basta atravessar a ponte da Fraternidade para poder saborear um bom bife de chorizo ou as crocantes empanadas argentinas. Precisa de mais?

Então escolha o seu cardápio do dia e bom apetite!

 

Por Eloise Zanatto.

Texto produzido para matéria em revista.